sábado, 20 de agosto de 2011

Dia do historiador

[...] Durante anos o debate sobre a regulamentação foi negligenciado. Eu acredito que por falta de mobilização da própria categoria. Liderados por Doutores confortavelmente alojados em suas cátedras universitárias os historiadores não viam necessidade em ser "profissão". Fazer História era paixão, "militância".

Mas não tem lugar pra todo mundo na academia. Isso é fato.


Atualmente temos dois projetos de lei que tramitam no Congresso Nacional (um no Senado e outro na Câmara) que pretendem deixar mais claro a todos que os historiadores também são fundamentais nas instituições de memória, de salva-guarda do patrimônio:

Art. 4º São atribuições dos historiadores:

I – magistério da disciplina de História nos estabelecimentos de ensino fundamental, médio e superior;
II – organização de informações para publicações, exposições e eventos em empresas, museus, editoras, produtoras de vídeo e de CD-ROM, ou emissoras de televisão, sobre temas de História;
III – planejamento, organização, implantação e direção de serviços de pesquisa histórica;
IV – assessoramento, organização, implantação e direção de serviços de documentação e informação histórica;
V – assessoramento voltado à avaliação e seleção de documentos, para fins de preservação;
VI – elaboração de pareceres, relatórios, planos, projetos, laudos e trabalhos sobre temas históricos.
(projeto na íntegra aqui)



Outro fato: não só faltam lugares na academia como cresce a demanda fora dela. Principalmente na área da Cultura, especificamente na área de Patrimônio. Arquivistas, bibliotecários, museólogos, turismólogos já entenderam o recado e providenciaram suas vagas: atualmente não se pode ter um museu ou memorial sem um arquivista e um museólogo. A presença de um Historiador, o que na minha opinião é mais do que obrigatória no caso dos museus históricos, é "perfumaria", afinal, não existimos enquanto categoria profissional.


E aí?


O que faremos?

Continuaremos a reclamar que não somos consultados e deixar que museus históricos continuem divulgando o que bem entendem sem um mínimo de reflexão?Claro que é mais fácil reclamar....

Acho que caminhamos bastante, a ANPUH (graças ao Prof. Durval Muniz) finalmente entrou na discussão, e isso é extremamente salutar. O projeto de autoria do Senador Paulo Paim no Senado aparentemente caminha a passos largos, passamos já pelas comissão mais complicadas, Constituição e Justiça, e Trabalho.

Eu sou defensora ardorosa da regulamentação. Eu fiz um curso superior, mestrado e sou uma profissional. Amo o que eu faço, tenho paixão pelo ofício, mas também tenho um estômago. Estudei muito pra estar onde estou e quero ser reconhecida por isso.

Não acho que a regulamentação vai resolver todos os nossos problemas, mas acho que é parte da solução. Temos pela frente o desafio de pensar como será a atuação do Historiador frente a crescente "patrimonialização", teremos o poder de legitimar ou não determinados discursos, mas isso é pra depois....

Por hora vamos nos mobilizar e aprovar o projeto!

O último movimento foi quarta, o projeto chegou a Comissão de Assuntos Sociais e foi designado relator o Senador Cristovam Buarque, o que é positivo pois na outra vez que a matéria esteve nessa mesma comissão ele escreveu no relatório:


" Estamos convencidos de que, com essa regulamentação, além de se tornarem os cursos de História mais atraentes, uma vez que irá facilitar o acesso dos formandos ao mercado de trabalho, abrir-se-ão novos espaços ao historiador, que poderá colaborar de maneira mais efetiva na defesa do interesse coletivo, ao contribuir para a preservação de nosso patrimônio artístico e cultural.

A par desses aspectos, enfatize-se que, com a presente regulamentação, cria-se, finalmente, uma identidade legal do profissional da História. E, como bem asseverou o autor da proposta, num mundo onde a qualidade e a excelência de bens e serviços vêm se sofisticando sempre mais, dão-se condições ao historiador para que possa exercer sua profissão com amplitude de direitos, não permitindo a atividade a terceiros não qualificados tecnicamente ou sem formação adequada para o seu exercício."

Extraído de: Achologias

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