Anotações sobre à Conquista da América...

sábado, 23 de janeiro de 2010 2 comentários
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O processo de conquista da América para além da descoberta de novas terras consiste no descobrimento de outro, outro este que não é europeu, assim, à medida que Colombo e seus companheiros vão conhecendo o novo continente, vão percebendo também o que é ser europeu e espanhol. À medida que vislumbram nos indígenas tudo aquilo que eles (espanhóis) não são.


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(Cristovão Colombo)


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Segundo Todorov, Colombo inaugura uma questão de essência importância e que transpassou o momento da conquista e atinge os dias atuais: o que é o índio? Que status atribuir aos indígenas? Todorov ao apresentar os relatos do próprio Colombo mostra que o descobridor genovês assim como ficara maravilhado com a natureza, a qual denominou paraíso na Terra, surpreendera-se também com os habitantes e cotidiano.



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(Cena do Filme: 1492 - A conquista do paraíso)


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Na interpretação de Todorov, Colombo via o indígena como parte integrante daquela natureza recém descoberta, não sendo distinguido como humano por sua vez como humanos, contudo esta visão leva a uma distinção de superioridade e inferioridade, haja vista que os indígenas que aqui viviam não eram “civilizados” e não “conheciam” Deus, disto decorre o que ficou conhecido como colonização do Novo Mundo, vestir os indígenas com os trajes do Velho Mundo, ou seja, inicialmente espanhóis e portugueses. Esta percepção de Todorov de que Colombo considerava os indígenas como seres da natureza local, uma tábua rasa e que porventura deveriam ser catequizados para poderem conhecer o sentido da vida advém da análise do que o próprio navegador escrevia em seu diário, editado postumamente pelo seu filho.


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(John Vanderlyn, óleo sobre tela - A chegada de Colombo a ilha Leste em 1492)

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A querela citada anteriormente perpassou ainda entre os debates no processo de conquista entre Las Casas e Sepúlveda na América espanhola e as visões que se tinham do indígena através dos relatos de Gabriel Soares de Sousa e Pero Magalhães de Gândavo na América lusitana denotam como sempre existiram posições divergentes, desde o bárbaro infiel (estatuto sustentado pelo Direito Romano) até o verdadeiro ser humano bom, mas que fora dizimado. Destarte, ainda ocorre que aos indígenas de toda a América não se sabe ao certo se são americanos ou indígenas ou brasileiros ou mexicanos e etc. e quando se define não se sabe a favor de quem, se dos indígenas ou dos Estados Nacionais, ou seja, um elemento presente desde a conquista da América até nossos dias, questão colocada por Colombo e retomada por Todorov: Quem são e que status atribuir aos indígenas?

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Para saber mais leia:
TODOROV, Tzvetan. A conquista da América: a questão do outro. 2. Ed São Paulo: Martins Fontes, 1999. 324 p


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