Falando superficialmente do projeto de pesquisa em História...

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010 0 comentários
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BARROS, José D''Assunção. O projeto de pesquisa em História: da escolha do tema ao quadro teórico. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2005. 236p.




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Um projeto de pesquisa é construído a cada instante pelo pesquisador, os materiais devem ser constituídos e/ou produzidos pelo próprio pesquisador, todo projeto é passível de mutações, posto que ele seja parte integrante de uma pesquisa. Dentre as finalidades do projeto é possível enumerar algumas: é um roteiro de trabalho, um instrumento para elaboração de idéias, o retrato de uma pesquisa em andamento, item curricular para cursos de pós-graduação, um direcionador de pesquisa dentre outras finalidades.
Um projeto é uma proposta de realizar algo, é um roteiro, um instrumento de planejamento. O resulto disso é que consiste em uma pesquisa ou tese. O autor do livro propõe que a delimitação do tema ou exposição do problema seja explanada em um capítulo a parte do projeto, assim a introdução constitui-se em uma síntese do projeto.




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Segundo Barros, uma introdução deve conter o tema com especificidade mais fundamentais, “a introdução é só para dar ao avaliador uma idéia simplificada da pesquisa proposta”. Nesse formato o item que sucede a introdução é a delimitação temática. A delimitação do tema ou o recorte do tema consiste em o historiador conciliar seus interesses pessoais com os anseios sociais mais gerais.
É importante que o pesquisador se interrogue quais as implicações deste seu trabalho na sociedade, cada vez mais é preciso ter em mente a consciência na ciência. A problematizarão do tema desde meados do século XX passou a ser o cerne na delimitação do tema na pesquisa histórica, onde a sociedade, a instituição e a comunidade de historiadores são elementos que interagem nas escolhas do pesquisador, bem como aspectos internos como motivação, relevância e de alguma forma interesse social no tema.
Visto estes aspectos uma questão primordial é a viabilidade, é fundamental que o pesquisador se atente a não buscar temas demasiadamente amplos e que não fiquem em busca de ineditismo. É necessário que seja feito um recorte espaço-temporal no tema proposto, para que se torne mais viável, pode-se ainda buscar delimitar o tema não a partir de um tempo e lugar, mas a partir de uma série de documentos disponíveis, o que se pode ser chamado de recorte serial. Sobre os ineditismos, cabe ao historiador buscar inovar na metodologia empregada, nas tipologias de fontes a serem empregadas ou até mesmo a partir de um referencial teórico diferente sobre um tema outrora já pesquisado.



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A revisão bibliográfica de um projeto é o lugar onde o pesquisador pode demonstrar um pouco mais da viabilidade da sua proposta de pesquisa, não necessário fazer um levantamento de toda a bibliografia que será utilizada, mas, sobretudo levantar as obras consideradas clássicas acerca do tema escolhido e também as novas propostas historiográficas sobre o mesmo assunto, isto servirá de base para o avaliador perceber que o pesquisador está atento com as discussões em voga sobre o tema, e caso haja alguma lacuna nas pesquisas anteriormente feitas, esta é a hora de apontá-las, mesmo que o pesquisador venha a explicitá-las melhor na justificativa.
A respeito da justificativa, esta quase sempre está conectada ao capítulo referente à revisão bibliográfica. Os pontos que devem estar presentes n justificativa de um projeto segundo o autor são: a relevância social, isto é, por que o tema proposto ou a pesquisa é socialmente importante, quais os benefícios que podem reverter para a sociedades; a relevância cientifica e acadêmica que se refere ao porque da importância do tema ou pesquisa do ponto de vista da academia e ainda as lacunas na bibliografia existente virá a preencher, bem como as contribuições a determinado campo da historiografia e a pertinência do tema, é na justificativa que o pesquisador deve mostrar que seu tema é intercambiável, daí pode assinalar autores que já trilharam caminhos similares em obras anteriores.
Outros dois aspectos que não podem ficar de fora da justificativa é a viabilidade e a originalidade, esta deve mostrar o q que a pesquisa ou objeto traz particularmente de novo, seja na metodologia, em termos temáticos ou no referencial teórico, enquanto aquela deve explicitar o porquê a pesquisa é concretamente viável, deve mostrar a facilidades as fontes, arquivos e bibliotecas, por exemplo. Os capítulo sobre objetivos comumente é um único em projeto de História que vem escrito em tópicos, composto quase sempre por frases iniciadas no infinitivo, os objetivos constituem-se de sentenças que podem ir das mais gerais as, mas específicas, o importante é não seja muito grande, é necessários que os objetivos seja claros, concisos e simplificados.



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Um outro passo para a concretização do projeto de pesquisa é o capítulo referente ao quadro teórico, caso não tenha havido um capítulo referente a revisão bibliográfica, esse é o local para fazê-lo, caso já tenha sido feito se pode começar a escrever o quadro teórico a partir do campo histórico utilizado pelo pesquisador, ou seja, o campo de estudo em que se insere a pesquisa (História Econômica, Historia Social, História Cultural, etc.), abordado isso se passa ao diálogos interdisciplinares possíveis a partir da pesquisa proposta, quais são as disciplinas e/ou campos de estudo que o trabalho a ser feito interroga. O posicionamento teórico significa dizer em qual ou quais correntes teóricas o trabalho será pautado, daí é possível delimitar os horizontes teóricos, igualmente ao estabelecimento de definições, conceitos e categorias essenciais para a pesquisa, isto pode simultaneamente com diálogos de autores que serão revisitados.
Definido o quadro teórico, que precisa está solidamente fundamentado, pode-se propor uma ou mais hipóteses para o problema sugerido. As hipóteses serem para dar uma direção à pesquisa, fixando fins relacionados a etapas a serem cumpridas na pesquisa e procedimentos metodológicos adequados, a hipótese ainda serve para delimitar, isto é, restringir o campo de pesquisa. Outras funções são também inerentes à hipótese segundo o autor, propor uma possível solução para o problema investigado, desencadear inferências e funcionar como principio de deduções, preencher lacunas do conhecimento, se for genérica, poderá ser adaptada e aplicada em outras pesquisas e por fim, unificar ou organizar conhecimentos já adquiridos.


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Para a elaboração de uma hipótese é necessário seguir alguns critérios, ela deve conter uma solução possível, ser escrita com uma sentença declarativa, ser concisa coerente, possuir clareza e exatidão conceitual, precisa está integrada ao quadro teórico, aos métodos e técnicas propostos e ao problema da pesquisa, a hipótese precisa ter especificidade, relevância, pertinência, plausibilidade e verificabilidade.
O livro de José D’Assunção Barros conclui apontando que será necessário uma outra obra para falar da metodologia, segundo ele o núcleo elementar de um projeto é o quadro teórico, as hipóteses e a metodologia. Destes itens iniciais de um projeto, o que fica é daí o pesquisador tem um plano de atividades a serem realizadas, um projeto é um planejamento, essencial para uma melhor elucidação do que virá ser buscado contemplar.


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