Considerações acerca da História...

domingo, 20 de setembro de 2009 0 comentários

A historiografia do século XIX provocou muitas rupturas na maneira de se escrever a História, a escrita da história era produzida sob um rígido método de crítica documental que teve o historiador Ranke como um de seus principais personagens, ele afirmava que o ofício do historiador era desvelar a verdade que estava por inteiro nos documentos. A partir disso a escrita da História abandonou quase que inteiramente a narrativa, pois se acreditava que o historiador deveria ser o mais objetivo possível e a narrativa descaracterizava a cientificidade da História, diferentemente do que ocorria durante o período moderno, onde não havia o uso de um método crítico para os documentos e se superestimava a narrativa. Michelet foi um dos principais historiadores desse período, sua narrativa histórica se aproximava muito da literatura, assim como outros historiadores de sua época, ele utilizava as fontes e em meio de sua escrita havia narrações criativas que gerava no leitor emoções diversas.



Esse período da historiografia ficou conhecido como escola metódica, ou seja, quando dentro do discurso histórico se criou um método científico para crítica documental, vale salientar que o uso de documentos já era bastante difundido, contudo um rigor para a sua utilização. A principal preocupação dos historiadores desta escola era descobrir a veracidade dos documentos e se dava maior importância aos personagens políticos e aos considerados “fatos históricos”. Ranke, historiador alemão, foi um dos principais expoentes desta escola como já fora citado, ele afirmava que a função do historiador era a de apenas dizer o que estava contido nos documentos, pois eles já eram a revelação do passado. Desta forma a escola metódica se constituiu de um rigoroso método para a escrita da História no século XIX.




Le Goff, ao tentar responder a sobre a indagação sobre se a História é ciência do passado ou apenas existe História contemporânea, afirma que na verdade a História é uma resposta do presente às questões sobre o passado, o que significa que mesmo que o historiador não consiga atingir o passado tal como aconteceu, este deve no máximo tentar alcançar esse objetivo. Presente e passado se articulam na historiografia, aqui entendida como escrita da História, pois ao passado se recorre para compreender e responder questões do presente.

Ainda segundo Le Goff, a História tem função social esclarecer e ajudar a memória a corrigir seus erros tornando-a mais objetiva, isto é, pela História se alcança a consciência histórica dos sujeitos, tanto individualmente quanto coletivamente, sendo, portanto uma prática elucidativa da autocompreensão dos sujeitos sociais.



(Heródoto e Tucídides - primeiros "historiadores")

Jorn Russen aponta os fatores que garantem a especificidade do conhecimento histórico de forma científica, dizendo que é a utilização de método objetivo, de um modelo teórico e a utilização da estética e da retórica em sua escrita que garantem a cientificidade da História, no entanto existe o alerta para a História sem esses elementos passa a ser Literatura, mas a aplicação destes elementos não de forma a excluir o caráter narrativo da História, segundo ele o apelo a emoção não subestima a racionalidade do interlocutor.

A racionalização do conhecimento histórico está associada à utilização dos métodos de maneira mais abrangentes para que se evite o automatismo metódico do século XIX, essa racionalização leva a escrita da História em que não se engesse na verdade são teorizações acerca dos fatos do passado e que Russen delineia em seu texto falando das tipologias históricas, isto é, as formas e as funções do discurso histórico.


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