Anotações sobre fontes orais...

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010 0 comentários
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O estudo histórico a partir das fontes orais tal qual como concebemos hoje é fruto principalmente do que chamamos História Nova, surgida em fins do século XX, entretanto desde os considerados primeiros historiadores, Heródoto e Tucídides, a memória oral e coletiva era utilizada na construção das narrativas. O que afastou historiadores das fontes orais na época moderna foi principalmente a escola metódica do século XIX, sendo a oralidade considerada muito passível de interpretações e adequações ao meio, disto decorria a perca da cientificidade da História para os cientistas de então, os historiadores desta época estavam em busca da maior objetividade e verdade do fato, elegeu o documento escrito oficial como fonte única para o pesquisador de História. A partir da escola História Nova e também um abandono ao modelo tradicional de escrita e um retorno as narrativas a história oral pode figurar como possibilidade aos historiadores.


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A história oral como fonte é importante, pois com ela o historiador pode realizar uma espécie de “história do presente”, onde pode questionar as permanências e rupturas de aspectos do cotidiano. As fontes orais não devem ser encaradas como auxiliar ao processo de pesquisa documental, isto é, ao se utilizar da pesquisa documental para um trabalho e porventura, faltar algum dado e daí recorrerem às fontes orais. As fontes orais são fontes são independentes e devem ser utilizadas com procedimentos e métodos adequados.



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Ao realizar entrevistas é necessário sempre obter autorização do depoente, especificar em que suporte a entrevista está sendo registrada, se por transcrição simplesmente, áudio ou áudio e vídeo simultaneamente. As fontes orais são encontradas em qualquer meio, tendo em vista que homens e mulheres dispõem de memórias individuais e coletivas sobre os acontecimentos, todavia vale ressaltar que o trabalho com fontes orais exige do historiador trabalhar com uma temporalidade mais próxima do presente.

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Ao transcrever as entrevistas, o historiador deve ser fidedigno, não podendo acrescentar nem retirar do que exposto pelo entrevistado. A história oral teve grande quantidade de trabalhos publicados após a invenção do gravador e sendo bastante criticada, pois muitos historiadores viam-na muitos como um trabalho literário do que propriamente um trabalho historiográfico, mas em tempos hodiernos as fontes orais se solidificaram sem, no entanto deixar de ser desafiante para historiadores e historiadoras deste terceiro milênio.

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Para saber mais leia:
PINSKY, Carla Bassanezi. Fontes históricas. São Paulo: Contexto, 2005. 302 p

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