Anotações sobre conceitos marxistas...

quinta-feira, 15 de abril de 2010 1 comentários



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Infraestrutura e superestrutura são conceitos presentes no prefácio da obra Para a Crítica da Economia Política e que foi utilizado como base para muitos grupos com militância marxista. Este prefácio contém a maior parte dos conceitos que Marx iria desdobrar e definir na subseqüência de seus escritos, muito embora seja um texto estritamente conceitual, ele recorre a alguns pontos já abordados por ele ao debater sobre a Crítica à Filosofia do Direito de Hegel e em a Ideologia Alemã, como por exemplo, a análise do que seriam as relações jurídicas e a “anatomia da sociedade burguesa”.
Perscrutando os dois conceitos supracitados, infra-estrutura e superestrutura, partindo da análise do já referido texto é possível perceber a concretização do materialismo em Marx, se é que é possível fazer tal afirmação, posto que seja a partir das determinações originárias da infraestrutura, ou simplesmente estrutura, que é edificada a superestrutura. A maneira pela qual acontece isso já pode ser previamente apreendida na definição de cada conceito. Infraestrutura, segundo Marx, são as relações materiais, o modo de produção, que apesar do próprio nome indicar à compreensão, faz-se mister algumas explanações, mas inicialmente é preciso lembrar que Marx via o homem como resultado do trabalho em uma relação dialética, um transforma o outro. Visto isso, as relações de produção material, portanto a estrutura será o condicionante para definir o homem como homem e conseqüentemente como um ser social. O ser social em que o homem se transforma vai resultar em sua consciência tendo em vista que está em uma constante relação dialética com as forças produtivas, ou seja, o fundamento de toda sociedade que orienta o homem enquanto homem.


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Karl Marx


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Ora, é então daí que vai emergir o que Marx definiu como superestrutura, o conjunto das manifestações políticas, jurídicas, artísticas, filosóficas, religiosas que são reflexos da base material. Esta superestrutura é o que irá “mascarar” a verdadeira realidade, a distinção de classe a partir da relação produtiva, posto isso, Marx retorna aos seus primeiros textos, onde critica a ideologia alemã e talvez o que pode ser chama idealismo materialista de Füerbach. Esta consciência não transformará a realidade, haja vista que ela já é produto e não força criadora da mesma, sendo assim é necessário que as contradições das forças produtivas sejam explicadoras da superestrutura e é no ápice dessas contradições, isto é, das forças produtivas com as relações de produção, ou ainda melhor, entre a estrutura e a superestrutura é que advém a revolução social.




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Destarte, é a partir da contradição e da relação dialética entre dois tipos de estrutura, sendo que a consciência é determinada pelo ser social, do próprio antagonismo que em determinado momento é criado entre ambos, pois o ser social já não garante sua validez diante da consciência, que há a verdadeira transformação da realidade.
É sobre o capitalismo que Marx vai se flexionar em todos os seus estudos econômicos, a saída socialista é decorrente da visão que ele tinha de o capitalismo ser um sistema acéfalo e que transformava o homem e seu trabalho em mercadorias, sem nenhum tipo plano, e ainda, esta mercadoria, o trabalho humano não é valorado de forma real, mas sempre em algo inferior.


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