Anotações sobre As Condições Das Transformações Históricas...

quarta-feira, 17 de março de 2010 0 comentários

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Para compreender as transformações históricas podem-se destacar algumas condições prévias, que não bases arbitrárias nem puramente dogmas, mas são verificáveis através de um meio empírico.
A condição primeira de toda história humana é, naturalmente, a existência de seres humanos vivos. O primeiro estado real que se constata, é, portanto, o patrimônio corporal destes indivíduos e as relações que esse patrimônio desenvolve com a natureza.
Um passo adiante de sua organização corporal é a capacidade de produzir. Muitos diferenciam o homem pela sua consciência, pela sua religião, etc. Mas os homens se distinguem dos animais essencialmente na capacidade de produzir seus meios de existência e assim então produzindo indiretamente a sua própria vida material.



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A partir da natureza dos meios de existência já dados e que precisam ser reproduzidos é que se pode perceber o modo de produção desenvolvido pelos homens, gerando daí um modo de vida determinado pela maneira com a qual se produz. Esta produção só acontece com o aumento da população, que por si só pressupões relações dos indivíduos entre si.
As relações entre as diferentes nações vão depender do estágio do desenvolvimento de produção em cada uma se encontra. A divisão do trabalho no interior de uma nação acarreta, primeiramente, a separação do trabalho industrial e comercial, por um lado, e do trabalho agrícola, por outra. Desta forma, provoca separação entre cidade e campo e a oposição de seus interesses. O seu desenvolvimento ulterior acentua a separação entre trabalho comercial do trabalho industrial, ao mesmo tempo, devido à divisão do trabalho no interior dos diferentes setores, desenvolvem-se, por sua vez, diferentes subdivisões, dentre os indivíduos que cooperam em determinados trabalhos e esta divisão é condicionada pela modalidade de exploração do trabalho.
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Existiu diversos estágio de desenvolvimento da divisão do trabalho que representam em igual número as diferentes formas de propriedade. Ao mesmo tempo em que surgem novas relações dos indivíduos entre si, surgem novos instrumentos e produtos do trabalho.
A primeira forma da propriedade é a propriedade da tribo. Corresponde ao estágio rudimentar da produção, quando o povo se alimenta da caça e da pesca, da criação de gado ou da agricultura. Neste estágio, a divisão do trabalho é muito pouco desenvolvida, existe uma grande parte de terras incultas e limita-se a uma extensão natural do trabalho que é oferecida pela família. A estrutura social é composta por uma extensão da família: chefes da tribo patriarcal, tendo abaixo de si os membros da tribo e, finalmente, os escravos.




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A segunda forma da propriedade é a propriedade antiga, propriedade comunal e propriedade do Estado, este tipo de propriedade é resultante basicamente da reunião de várias tribos numa só cidade, por contrato ou por conquista, onde subsiste a escravatura. Ao lado desse tipo de propriedade, a propriedade privada, de bens e móveis e posteriormente imóveis, já se desenvolve, mas subordinada à propriedade comunal. Neste estágio, a divisão do trabalho já se encontra mais adiantada, pode-se encontrar oposição entre a cidade e o campo, e mais tarde, a oposição entre os Estados representantes do interesse do campo e aqueles representantes do interesse da cidade. Ainda mais, no interior das cidades, já se pode notar oposição entre comércio marítimo e a indústria. As relações de classe entre cidadãos e escravos atingem o seu completo desenvolvimento.



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A terceira forma é propriedade feudal ou por ordens. Enquanto a Antigüidade partia da cidade e do seu pequeno território, a Idade Média partia do campo. Em oposição a Grécia e Roma, o desenvolvimento feudal principia sobre um campo extenso, preparado pelas conquistas romanas e pela extensão da agricultura. Como a propriedade da tribo ou da comuna, a propriedade feudal se firma sob uma classe produtora, na qual, no entanto não são mais escravos e sim a classe de camponeses avassalados. A associação destes servos nas cidades em oposição à dominação da nobreza foi, sobretudo nas cidades, que se reerguiam e estes indivíduos passaram então a formar a propriedade corporativa, organização feudal da produção, que consistia principalmente no trabalho de cada indivíduo. Junto a isso apareceu a necessidade de cobrir mercados comuns e a crescente evasão dos servos em direção às cidades fizeram nascer as corporações. Assim, os pequenos capitais economizados por artesãos isolados, e o grande números destes numa população que cada vez aumentava, desenvolveram as condições de artesão e aprendiz, constituindo assim uma hierarquia semelhante a que existia no campo. Portanto neste estágio, propriedade principal consistia por um lado na propriedade imobiliária, no qual está ligado o trabalho dos servos, e por outro lado, no trabalho pessoal com pequeno capital regendo o trabalho dos artesãos.

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A produção das idéias, da representação e da consciência está intimamente ligada à atividade material e ao comércio material dos homens, é a linguagem da vida real. O mesmo ocorre com a produção intelectual, tal como se apresenta na linguagem política, das leis, da moral, da religião, da metafísica, etc., de um povo. Os homens são produtores de suas representações, de usas idéias, todavia são produtos de suas próprias forças produtivas e das relações a elas correspondentes.
O primeiro fato histórico que podemos perceber na construção da história feita pelos homens é a necessidade da produção dos meios que permitam a satisfação dessas necessidades essenciais: beber, comer, morar, vestir-se além de outras coisas, ou seja, a produção da própria vida material já constitui condição fundamental de toda história.

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O segundo ponto que se pode notar é que uma vez satisfeita a primeira necessidade em si, a ação de satisfazê-la e o instrumentos dessa satisfação geram novas necessidades.
O terceiro ponto que também intervém no desenvolvimento histórico é que os homens a cada dia renovam sua própria vida e se põem a criar outros homens.
Após estes três aspectos, que não são isolados em si, mas constituem três momentos intrínsecos da atividade humana, temos a linguagem, que é tão velha quanto a consciência. Na verdade a consciência pode ser derivada da linguagem, assim para além das necessidades instintivas, o homem modifica e é modificada também pela sua capacidade de se comunicar com seus semelhantes e com a natureza.

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