Falando superficialmente sobre o contexto social e religioso da Alta Idade Média...

domingo, 14 de março de 2010 0 comentários
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Cotidiano da Alta Idade Média


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O contexto social e religioso da alta idade média baseia-se na miscigenação dos povos e, por conseguinte na mistura de suas crenças. Estes seriam os mesmos das ondas migratórias ao Império Romano, primeiros cristãos em áreas urbanas (forma organizada das cidades romanas), onde as transformaram (At 17,4) que diz: “Alguns Judeus se convenceram disso e se uniram a Paulo e Silas, assim como bom número de gregos que adoravam o Deus único, e não pouca mulheres da alta sociedade”, nesta passagem pode-se perceber a mistura de povos e de “classes sociais” existentes em Roma, não era assim por todo o Império, o cristianismo buscou solidificar-se e espalhar-se por toda a região ao longo da Idade Média, a população rendeu-se ao cristianismo, que começou a florescer a partir do século IV. A alta idade média situada entre os (séc. VI - X) é marcada também pelos movimentos heréticos existentes neste período, no qual Roma passava por vários problemas econômicos, administrativos e sociais e neste clima que tais movimentos começam.



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Concílio de Nicéia em 325 – Condenou o arianismo


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As Heresias definem-se como negação ou dúvida pertinaz de uma verdade que se deve crer com fé divina e católica, por quem recebeu o batismo. Ao longo da história da Igreja são várias: O Gnosticismo (séc. II); Maniqueísmo (séc. III); Arianismo (séc. IV); Nestorianismo (séc. IV); Monofisismo (séc. IV); Donatismo (séc. IV – VII); Pelagianismo (séc. V); Iconoclastas (séc. VIII); Cátara e valdenses (séc. XII-XIII) entre outras, o rigor da Igreja no combate às heresias e cismas variaram ao longo dos tempos, com períodos de grande repressão, sobretudo quando tais desvios eram combinados com penas graves pelo poder político.



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Ícone mostrando os Padres do Concílio de Nicéia segurando o Credo Niceno-Constantinopolitano

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Santo Agostinho


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Dos movimentos heréticos desta época o Arianismo é tido como um dos principais. Criado por Ário que, quando era padre começou a espalhar idéias pessoais a respeito da trindade, este movimento negava a divindade de Cristo, o mesmo seria inferior a Deus por ser criado por Ele, não poderia ser co-eterno ao criador, pois se foi criado houve um tempo que não existiu, seus seguidores afirmavam que Cristo não tinha nem a sabedoria nem a natureza de Deus e acreditavam que a instituição cristã era inferior por ser criada por Cristo, estes ensinamentos foram debatido no Concilio de Nicéia em 325 e foi anatematizado. O Nestorianismo que foi criado por Nestório, um patriarca de Constantinopla, defendia que a natureza de Cristo era predominantemente humana e não divina, não reconhecia a virgem Maria como mãe de Deus (natureza divina de Cristo), quando muito seria mãe de Cristo (natureza humana). Foi condenado no Concilio de Éfeso em 431, por não acreditar que Deus encarnou e foi feito homem e a Igreja queimou suas obras em 448. Outro movimento herético foi o Monofisismo, criado por Eutiques, Monge de Constantinopla, acreditavam exclusivamente na natureza divina de Cristo, os últimos monofisistas acreditavam que Cristo não sofria dor física e não era corruptível. Foi condenado no concilio de Calcedônia em 451.


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Julgamento dos Cátaros (principal heresia após o século X)

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Existiram outras heresias segundo a Igreja, como o Pelagianismo, criado por Pelágio, pensador religioso do século IV, acreditavam que Deus dotara a humanidade dos recursos necessários para atingir um estado de perfeição moral e que o pecado de Adão e Eva não passava aos seus descendentes, salvação por esforço, mérito e não por graça de Deus. Foi acusado em 415 e condenado em 418 pelo Concilio de Cartago. O Donatismo seria mais uma destas, criado por Donato, bispo de Cartago, ele ensinava que apenas os que não tinham pecados poderiam ministrar na Igreja, pois a validade das cerimônias dependia daquele que as celebrava. Se alguém era pecador, ou tinha sido ordenado por um deles, qualquer ministração (ceia, batismo, casamento, etc.) seria inválida. Seguindo esse raciocínio, e, não sendo aceito pela comunidade da época, Donato formou uma nova comunidade. Nela não havia a interferência do Estado, eles mesmos faziam seus próprios concílios, e ordenavam seus bispos. Seus ensinos foram refutados especialmente por Agostinho, e também no Sínodo de Roma (313 d.C.) e de Arles (314 d.C.). Os donatistas sobreviveram, apesar de toda perseguição, até o séc. VII. Foi banido definitivamente e 405.


FALBEL, Nachman. Heresias medievais. São Paulo, Perspectiva, 1977.
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RICHARDS, Jeffrey. Sexo, desvio e danação: as minorias na idade média. Rio de Janeiro, Zahar, 1993.


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