No futuro do pretérito [2]... (Impressões de um Estágio Docente na Escola)

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011 0 comentários
Definido o planejamento de aulas, chegou o período da regência. Esta foi uma experiência satisfatória para mim, ao procurar as turmas para trabalhar durante o estágio, diante a pouca disponibilidade de horários pela manha, acabei não ficando com o 6º ou 7º ano como eu havia pensado inicialmente e fui parar no 9º ano. Ao escolher a turma, fui indicado a ficar com outra, pois a que escolhi era o “pior” 9º ano da escola, no momento até procurei alternativa, mas devido ao choque de horários com outras atividades, permaneci nesta turma, observando as aulas como primeiro momento do estágio. Logo nesse período observei que a turma tinha uma relação conflituosa com a prática de “assistir aula”, havia desinteresse da maioria pelas aulas de História e que os alunos em geral não tinham disciplina comportamental.  




Sobre esta questão de comportamento gostaria de trazer algumas reflexões e discutindo o sentido da escola sabemos que a escola é o que está por dentro, o edifício escolar é a capa que envolve todo o organismo, a educação por assim dizer. Contudo, deve-se ater na construção dos edifícios escolares para que eles estejam integrados a natureza, que não sofram com o ruído do comércio e tráfego das áreas centrais da cidade, bem como a disposição dos elementos de seu interior. É indicada a construção de unidades educativas não muito grandes, edifícios escolares muito grandes não são vantajosos pedagogicamente. O prédio escolar deve ter áreas abertas, com ampla ventilação e iluminação, além de biblioteca, salas para reunia, cozinha, refeitório, banheiro, etc. a fim de que a educação seja social e ativa. Luzuriaga propõe que o número de alunos por sala não deve ultrapassar 30, o edifício escolar deve ser construído de acordo com sua funcionalidade, é importante a acessibilidade e que não custe muito, posto que sempre seja necessária a construção de novas unidades em outros espaços.
Percebendo a maneira pela qual o prédio escolar é orientado a ser construído é possível utilizar as argumentações de Michel Foucault a respeito do controle sobre os corpos, isto é, “a disciplina”. Segundo Foucault disciplina seria o método pelos quais:“permitem o controle minucioso das operações do corpo, que realizam a sujeição constante de suas forças e lhes impões uma relação de docilidade-utilidade” (FOUCAULT, 2007. p.118). Assim, ao observar e participar do cotidiano da escola percebi que a utilização da organização do espaço incide no comportamento daqueles que nele estão. Neste colégio, existem dois móduloss de aula, um para 6º e 7º ano do ensino fundamental e outro para 8º e 9º do fundamental e para as séries do ensino médio. Pelo fato de meu estágio ter sido no 9º ano, as observações que farei diz respeito ao módulo II de ensino. No módulo II as salas são muito próximas do pátio, da quadra e do campo, o que gera ruídos e barulhos durante todo o horário escolar, existe inspetoras que fiscalizam os corredores a fim de não permitir a dispersão e evasão dos alunos da sala de aula, no entanto apesar de haver esta fiscalização, nos momentos em que há ausência de professores nas turmas, não há como conter os alunos em sala e deste modo eles ocupam os espaços de sociabilidade entre eles (pátio, campo, quadra, jardim) que são como já dito, muito próximos das salas, o que causa constante dispersão no desenvolvimento das aulas.



A organização do espaço faz com que a escola não tenha uma rotina eficaz, ou seja, horários de chegada, saída, intervalo para lanche bem definidos; e também situações diárias que levem a uma prática cotidiana de aprendizado com o objetivo de não existir “tempo perdido” na escola, os alunos estão sempre em sua maioria em vagando pelos espaços. Pensando em maneira de como disciplinar e criar rotina eficiente no colégio, segundo informações de docentes, há um projeto em andamento de instalação de câmeras nos corredores e salas de aula, e ainda segundo ela, esta é uma proposta não só para esta escola em questão, mas que o governo estadual pretende às escolas da rede. Todo este aparato escolar talvez esteja em consonância com a teoria exposta por Foucault, “um corpo disciplinado é a base de um gesto eficiente”(FOUCAULT, 2007. p. 130), o quer dizer que a escola não consegue estabelecer relações de ensino-aprendizado com o desregramento que atualmente é vigente.
Áurea Guimarães coloca que “na realidade a escola é um mundo à parte, fechado e protegido, cujo acesso é cuidadosamente controlado” (GUIMARÃES, 1985. p. 48). Estas observações acerca das maneiras de controle do corpo do aluno associado às relações de aprendizado ainda são bastante incipientes para mim, todavia me atrevi a tentar fazer algumas ponderações sob a ótica de alguns conceitos já utilizados na pedagogia e nas ciências humanas observando de que maneira estão se dando estas relações no colégio no qual estou estagiei e participei do ambiente escolar e que também futuramente encontrarei no ato de meu exercício profissional.

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