Porque Tudo Muda...

domingo, 8 de janeiro de 2012

No Futuro do Pretérito [3]... (A Regência em Sala de Aula)

Para começar falar sobre as experiências com a regência e partindo do que já foi exposto acerca do comportamento, um dos meus maiores questionamentos foi em como conseguir uma relação horizontal com os alunos sem perder de vista a verticalidade da hierarquia professor x aluno. Esta foi uma das minhas metas durante o estágio, disto decorre que para mim o ensino de História deve ser realizado preconizando o envolvimento dos alunos com o conteúdo trabalhado, pois para haver aprendizado é importante a identificação e o interesse dos alunos nas aulas de História, sendo daí construídas e alargadas processualmente as noções de: tempo histórico, processo histórico, sujeito histórico, cultura, cidadania, etc. Com este objetivo, percebi que a relação cotidiana na escola se dá pela dialética prática/teoria/prática, isto é, são as respostas diárias dos alunos, e para isso é necessária uma maior abertura para o diálogo, tomando emprestado o termo de Donald Schön, “uma reflexão-na-ação”, a imprevisibilidade da aula que faz com que você esteja sempre buscando condições para melhor mediar o processo de aprendizagem.



Schön pontua que o processo de reflexão-na-ação compreende para o professor: ser surpreendido pelo o que o aluno faz refletir sobre esse fato, reformular o problema suscitado pela situação, efetuar uma experiência nova para testar a hipótese sobre o modo de pensar do aluno. Bem, o período de regência desde o início me levou a realizar diversas reflexões, houve dias em que ficou a sensação de que não se produziu nada de significativo e também situações em que senti que possuiu uma interação entre eu e os alunos e entre eles mesmos, resultando em uma aula participativa e com aspectos de que houve aprendizado(s). Porém, talvez o momento em que mais este processo de reflexão-na-ação fora vivenciado por mim durante o estágio tenha sido no momento em que o professor de Estagio esteve na aula para observar minha atuação. Naquele momento, não tinha como realizar as atividades marcadas para o dia, sem ao mesmo tempo estar pensando em todas as questões discutidas nas aulas de Estágio: a validade dos assuntos para os alunos; como criar uma situação de aprendizagem; para que serve esta história ensinada; etc. e ao mesmo tempo, tentar aproveitar a participação dos alunos a fim de atingir os objetivos da exibição do filme (atividade proposta para o dia) que era perceber outra forma de se perceber a História e relacionar aspectos do governo Vargas com as práticas nazi-fascistas.
Uma das primeiras atividades que propus a turma foi realizar um álbum de figuras em grupo, apenas três dos seis grupos levaram elementos para a sala para a efetivação da atividade. Neste momento, eu tive que improvisar com os que não levaram nada pedindo a eles leitura e resumo do livro didático. Desta experiência, o tempo foi passando, aprendi o nome de quase todos os alunos (saí sem memorizar o nome de alguns poucos, principalmente daqueles que sempre costumavam “filar” aula) e conversei de “pé de orelha” com aqueles que provocavam mais dispersão na sala. Não deu o resultado esperado, mas é verdade que o máximo de diálogo que consegui manter com eles, fez com que me obedeçam em sala. Sobre mecanismo de controle em sala, em um momento coloquei um aluno para fora da sala devido a permanência do mau comportamento durante a exibição do filme Olga e anotei o nome de três alunos na caderneta por ficarem pirraçando o colega em sala. É difícil manter às vezes a calma diante de tanta energia e euforia juntas, sempre procurei manter a calma sem que o estresse viesse a tomar conta, contudo o meu silêncio em sala muitas vezes transmitiu minha insatisfação e eles mesmos se autorregulavam a fim de colaborar no desenvolvimento da aula.
Um dos momentos em que mais aprendi foi no momento da exposição do filme Olga, na aula seguinte, eles foram francos afirmando que o filme era chato, que não gostaram, enquanto outros tiveram queixas quanto ao tempo. De fato, algumas cenas tiveram que ser suprimidas e inclusive o final ficou confuso, porque com o avançar do horário tive que suprimir cenas do final também. Todavia estas dificuldades, a atividade sobre o filme teve a participação de quase todos os alunos, que colaboraram para a correção do roteiro de análise proposto para o filme. No fim do estágio já havia uma maior participação dos alunos nos debates e atividades, contudo o que atrapalhava e muito à continuidade dos trabalhos em sala, são as constantes paralisações dos professores da rede escolar, que gera uma descontinuidade demorada a ser recuperada.

Acredito que no decorrer do estágio eu melhorei minha relação com eles, consegui ter uma relação horizontal, sem que a posição de professor estivesse em muito ameaçada, é verdade, como já salientei que existe um problema de comportamento, falta de rotina e dispersão na escola, como já mencionei nos posts anteriores. Umas das coisas que acredito também ter facilitado minha interação com eles, foi: primeiro, o fato de eles não terem uma relação harmoniosa com a antiga professora e, por conseguinte, quando ela se aposentou, eu entrei como estagiário, onde minha atual regente nunca tinha dado aula nesta turma. Outro dia conversando, a minha professora regente relatou que tinha ouvido falar horrores desta turma (assim como eu no início do estágio) e que há professores que não passam mais de 15min em sala, pois não “conseguiam” trabalhar naquela sala, mas que a partir das minhas aulas, ela percebeu que há muitos alunos interessados e comprometidos com a escola. Apesar de eu achar que algumas vezes, eles conseguem mais dispersar a aula do que eu mediar o aprendizado, estes comentários são um estímulo para mim no desenrolar da aprendizagem de ser professor.
 Usando Holien Bezerra, o professor de História deve colaborar para a “formação de cidadãos autônomos, críticos, participativos, que possam atuar na sociedade com competência, dignidade e responsabilidade”. No fim deste Estágio Curricular Obrigatório é perceptível que a formação de um professor deve privilegiar a escola como lugar primordial de sua formação profissional, é fato que durante dois anos e meio de licenciatura em História a escola esteve presente em diversas discussões, chegou-se a estar nela em algumas ocasiões, mas como observadores do cotidiano, da docência, do currículo, da gestão, da sala de aula em si, entretanto não como participantes dela. O Estágio em sala, lugar de participação do processo escolar, mais parece uma pedra no sapato: lugar de refletir a validade do que se fez e aprendeu na universidade, do que se quer da e na vida profissional; hora de divisor de águas, ou melhor, de derrubada dos muros, ou seja, a universidade além da ilha murada em que cotidianamente se constitui.


REFERÊNCIAS (para todos posts “No Futuro do Pretérito”)

ALVES, Nilda. Tecer conhecimento em rede. IN: ALVES, Nilda; GARCIA, Regina Leite. (orgs) O sentido da escola. 3 ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2001. p. 111 a 120.
BEZERRA, Holien Gonçalves. Ensino de História: Conceitos Básicos: IN: KARNAL, Leandro. História na sala de aula: conceitos, práticas e propostas.
SCHÖN, Donald A. Formar professores como profissionais reflexivos. IN: NÓVOA, Antônio.(org) O professor e sua formação. Lisboa: Dom Quixote, 1992. p. 79-85.

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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

No futuro do pretérito [2]... (Impressões de um Estágio Docente na Escola)

Definido o planejamento de aulas, chegou o período da regência. Esta foi uma experiência satisfatória para mim, ao procurar as turmas para trabalhar durante o estágio, diante a pouca disponibilidade de horários pela manha, acabei não ficando com o 6º ou 7º ano como eu havia pensado inicialmente e fui parar no 9º ano. Ao escolher a turma, fui indicado a ficar com outra, pois a que escolhi era o “pior” 9º ano da escola, no momento até procurei alternativa, mas devido ao choque de horários com outras atividades, permaneci nesta turma, observando as aulas como primeiro momento do estágio. Logo nesse período observei que a turma tinha uma relação conflituosa com a prática de “assistir aula”, havia desinteresse da maioria pelas aulas de História e que os alunos em geral não tinham disciplina comportamental.  




Sobre esta questão de comportamento gostaria de trazer algumas reflexões e discutindo o sentido da escola sabemos que a escola é o que está por dentro, o edifício escolar é a capa que envolve todo o organismo, a educação por assim dizer. Contudo, deve-se ater na construção dos edifícios escolares para que eles estejam integrados a natureza, que não sofram com o ruído do comércio e tráfego das áreas centrais da cidade, bem como a disposição dos elementos de seu interior. É indicada a construção de unidades educativas não muito grandes, edifícios escolares muito grandes não são vantajosos pedagogicamente. O prédio escolar deve ter áreas abertas, com ampla ventilação e iluminação, além de biblioteca, salas para reunia, cozinha, refeitório, banheiro, etc. a fim de que a educação seja social e ativa. Luzuriaga propõe que o número de alunos por sala não deve ultrapassar 30, o edifício escolar deve ser construído de acordo com sua funcionalidade, é importante a acessibilidade e que não custe muito, posto que sempre seja necessária a construção de novas unidades em outros espaços.
Percebendo a maneira pela qual o prédio escolar é orientado a ser construído é possível utilizar as argumentações de Michel Foucault a respeito do controle sobre os corpos, isto é, “a disciplina”. Segundo Foucault disciplina seria o método pelos quais:“permitem o controle minucioso das operações do corpo, que realizam a sujeição constante de suas forças e lhes impões uma relação de docilidade-utilidade” (FOUCAULT, 2007. p.118). Assim, ao observar e participar do cotidiano da escola percebi que a utilização da organização do espaço incide no comportamento daqueles que nele estão. Neste colégio, existem dois móduloss de aula, um para 6º e 7º ano do ensino fundamental e outro para 8º e 9º do fundamental e para as séries do ensino médio. Pelo fato de meu estágio ter sido no 9º ano, as observações que farei diz respeito ao módulo II de ensino. No módulo II as salas são muito próximas do pátio, da quadra e do campo, o que gera ruídos e barulhos durante todo o horário escolar, existe inspetoras que fiscalizam os corredores a fim de não permitir a dispersão e evasão dos alunos da sala de aula, no entanto apesar de haver esta fiscalização, nos momentos em que há ausência de professores nas turmas, não há como conter os alunos em sala e deste modo eles ocupam os espaços de sociabilidade entre eles (pátio, campo, quadra, jardim) que são como já dito, muito próximos das salas, o que causa constante dispersão no desenvolvimento das aulas.



A organização do espaço faz com que a escola não tenha uma rotina eficaz, ou seja, horários de chegada, saída, intervalo para lanche bem definidos; e também situações diárias que levem a uma prática cotidiana de aprendizado com o objetivo de não existir “tempo perdido” na escola, os alunos estão sempre em sua maioria em vagando pelos espaços. Pensando em maneira de como disciplinar e criar rotina eficiente no colégio, segundo informações de docentes, há um projeto em andamento de instalação de câmeras nos corredores e salas de aula, e ainda segundo ela, esta é uma proposta não só para esta escola em questão, mas que o governo estadual pretende às escolas da rede. Todo este aparato escolar talvez esteja em consonância com a teoria exposta por Foucault, “um corpo disciplinado é a base de um gesto eficiente”(FOUCAULT, 2007. p. 130), o quer dizer que a escola não consegue estabelecer relações de ensino-aprendizado com o desregramento que atualmente é vigente.
Áurea Guimarães coloca que “na realidade a escola é um mundo à parte, fechado e protegido, cujo acesso é cuidadosamente controlado” (GUIMARÃES, 1985. p. 48). Estas observações acerca das maneiras de controle do corpo do aluno associado às relações de aprendizado ainda são bastante incipientes para mim, todavia me atrevi a tentar fazer algumas ponderações sob a ótica de alguns conceitos já utilizados na pedagogia e nas ciências humanas observando de que maneira estão se dando estas relações no colégio no qual estou estagiei e participei do ambiente escolar e que também futuramente encontrarei no ato de meu exercício profissional.

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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

No Futuro do Pretérito [1]... (Passagens de um Estágio Docente na Universidade)


O estágio é um dos componentes curriculares para a formação profissional, é neste momento em que situamos as não fronteiras entre teoria e prática, posto que diante dos conhecimentos específicos apreendidos durante a vida acadêmica mais as habilidades e técnicas estudadas para o ensino, demarcamos o quanto aprendemos para o desenvolvimento de nossa profissão, que neste caso é a de professor de História. Mas junto com o estágio se iniciou um conjunto de problemas, desafios e argumentos sobre ele (o estágio) em si mesmo.

Para início de conversa, o semestre em que se desenrolou este estágio se tornou motivo de desestímulo e cansaço, pois devido a um estado de greve por mais de três meses, o semestre passou a ter a aparência de “interminável”. Vale salientar que, ainda no início, este semestre seria balizador em muitas questões para a minha formação acadêmica, mesmo sendo este memorial sobre a disciplina Estágio Curricular Obrigatório II, não há como desvinculá-lo de todo o conjunto de disciplinas em que o estudante é orientado a se matricular no sexto semestre de Lic. Em História na UEFS, a saber: Brasil III, Contemporânea I, Pesquisa IV e Ciência Política, além é claro do próprio Estágio II. Dito isto, faz necessário saber que este foi o semestre em que mais fui compelido a me dedicar ao estudo, à leitura, à problematização do saber acadêmico em geral, tendo em vista que este conjunto de disciplinas, a partir de seus docentes, criaram problemas histórico-acadêmicos o semestre inteiro (e nem o semestre e nem os problemas foram pequenos).




Atendo-se ao Estágio II, estive motivado desde o início, esta era uma das disciplinas que eu tinha mais curiosidade, pois é o momento universitário além-muros, lugar de construção do saber fazer acrescido do saber aprender no lugar de direito do professor: a escola. Todavia, desde o início da disciplina, foi transparecendo o quão doloroso seria a realidade estagiária, que em certa medida tem haver com o método utilizado pelo professor de Estágio, e haver também com a maneira pela qual cheguei a disciplina, isto é, sem problematizações sobre Educação e História, bem como com a não leitura sistemática dos textos nas disciplinas de Educação anteriores. Assim, estas nuances acarretaram em um desafio maior ao desenvolvimento do estágio.

Acerca do procedimento docente do professor de Estágio, foi uma experiência conflitante desde o início, tendo em vista que a cada aula aparecia mais a distância entre o vivido na universidade e a realidade que nos esperava em sala de aula. Outro conflito também foi a maneira de como construir a proposta de intervenção pedagógica, no primeiro momento pareceu fácil (era somente escrever o que fazer na aula e pronto), contudo o que pareceu ser simples se tornou complexo. Não houve um conjunto de leitura propostas nesta disciplina para montar um planejamento didático, talvez isto tenha sido o agente dificultador, por exemplo, quando houve a discussão sobre avaliação a partir do texto referenciado, houve para mim uma maior compreensão sobre a discussão dos processos avaliativos em sala de aula. Se de um lado senti carência de textos, existiu do outro uma correção incessante das propostas de intervenção pedagógica que sempre tinha “um algo a mais” ou “um algo a menos” a ser explicitado. Confesso que em alguns momentos isto passou a ser desestimulante, uma vez que parecia ser impossível fazer algo razoável, entretanto depois de muitos cafés, menos horas de sono, e sem dúvida, o retorno às leituras que ficaram para trás, acredito que houve melhoras não só na escrita do planejamento, como também na acepção e concepção de aula de História para ensino fundamental.



Ainda falando da parte do estágio que se dá na universidade, as aulas em sua maioria foram bastante produtivas, principalmente cujas aquelas foram sobre debates de textos acerca da formação docente e das discussões sobre o andamento do estágio nas escolas, no entanto para mim, exisitiu uma deficiência bibliográfica, poderia ter tido mais indicações de referências textuais para a nossa formação durante o Estágio II. Outra coisa importante a ser destacada é a carga horária real de estágio, em que pese a necessidade da orientação do professor de estágio durante a regência nas escolas, há uma excessiva quantidade de horas que devemos ficar atrelados a sala de aula na universidade, juntamente com o período de leituras, de planejamento de aulas, de ACs e de regência propriamente dita, tudo isto ultrapassa em muito as 105h contidas na proposta curricular para o Estágio II do curso de História, é preciso rever a disposição no que se refere a carga horária das aulas de Estágio para um bom funcionamento dele mesmo, a fim de otimizar as orientações, observações e as atividades do estágio.

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sábado, 7 de agosto de 2010

Falando superficialmente de Didática e Cinema no ensino de História...


A Didática da História não é um conjunto de técnicas e métodos ahistóricos a serem aplicados aos conteúdos de História no momento do ensino. Em primeiro lugar cabe ressaltar que a Didática que era anteriormente vista como uma disciplina que fazia tão somente parte do campo de educação, nos tempos atuais já é defendida por alguns autores como uma disciplina e também campo de estudo dentro da própria História. Sendo assim, a Didática possui uma historicidade e o docente deve perceber isso, pois assim como o Currículo, a Didática é orientada por interesses e fins específicos. Não aprofundando muito nesta ontologia da Didática, outro ponto a ser considerado é que entendendo a Didática como algo intrínseco à História, haja vista que o conhecimento histórico (até mesmo aqueles que têm com base a oralidade) é produzido para ser passado a outrem e isto implica de que maneira isso é ou deve ser feito. Portanto, pode-se concluir que o conhecimento produzido pelo saber histórico é didático por natureza e assim encontramos a Didática da História no como passar os conteúdos que estão presentes no livro didático para os alunos, e não somente, mas também as omissões, bem como outras leituras históricas possíveis: a arquitetura da cidade, as revistas em quadrinhos, a literatura, o cinema dentre outras formas de o homem ser no tempo e no espaço.




É a partir deste conceito de Didática que os filmes podem possibilitar a construção de conhecimento escolar. Ao trabalhar com filmes o professor deve perceber mais ou menos de que forma os alunos lêem as imagens, para a partir daí, antes da exibição, provocar reflexões de temas chaves contidos na película a ser exibida. Outra coisa é, para além da temporalidade histórica (Grécia antiga, Império Romano, Medievo, etc.), analisar de que forma conceitos como tempo, cultura, sujeito histórico, processo histórico e outros concernentes ao estudo da História, estão presentes no filme.



O filme também, além de apontar para a história de uma determinada época, ele mesmo é fonte histórica em relação ao período em que foi produzido. Posto que também é permitido ao orientador analisar quais as concepções de mundo estavam em voga quando o filme foi produzido, que tipo de tecnologia oi utilizada, o que aquele filme representava para o pensamento de então. Evidenciadas algumas formas de trabalhar com cinema em sala de aula, fica claro então que a Didática da História, sendo entendida como parte da própria História, significa entender que o conhecimento histórico é construído também em sala de aula e que a Didática da História é a maneira pela qual o conhecimento histórico passa do abstrato (fora de um lugar) para o concreto (a práxis da sala de aula).

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domingo, 13 de junho de 2010

Governo blefa com Movimento Docente

Após aprovada a greve indeterminada na Uneb, e manutenção do estado de greve nas demais (UESB, UESC e UEFS), os representantes do Movimento Docente – MD foram chamados a fim de ouvir o governo.



Em reunião realizada na manhã de sexta, 11 de junho, Clóvis Caribé (CODES), Adriano Trombone (SAEB), além dos deputados, Valdenor Pereira (Líder do Governo) e Zé Neto (PT), estavam bastante temerosos à greve e propuseram aos docentes presentes a retirada imediata dela, e, em contrapartida, apresentariam um termo de compromisso propondo a abertura da negociação a partir de novembro de 2010, atendendo apenas à pauta relacionada à Incorporação da CET.


“O governo se compromete em incorporar a primeira parcela até março de 2011 e não assinará nenhum documento antes de novembro, pois fomos aconselhados pela PGE (Procuradoria Geral do Estado) a não assinar documentos, uma vez que esta assinatura remeteria a um compromisso que poderá acarretar em problemas jurídicos, já que estamos entrando em período eleitoral”, afirma Valdenor Pereira.


Em defesa, o coordenador do Fórum das ADs e diretor da Adusb, Alexandre Galvão, expõe: “O governo novamente retroage nas negociações, sabemos que o governo não está impedido de negociar. Essa proposta apresentada hoje poderia ter sido feita logo após a entrega do nosso documento datado em 25 de novembro de 2009”, diz Galvão.


Após menção sucessiva sobre a greve, instalada na UNEB, a diretora da Aduneb, Maria do Socorro, intervém “O governo continua intransigente dizendo que não vai negociar. Dessa forma, que garantia nós temos diante disso? Não podemos assinar um acordo que não está claro”.


Ao final da reunião os deputados Valdenor e Zé Neto se comprometeram em assinar o documento como forma de comprovar a autenticidade do referido, ao mesmo instante em que os representantes do MD se comprometeram em levar tal conteúdo para a base a fim de avaliarem o termo apresentado.

Fonte: Fórum das ADs

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sábado, 12 de junho de 2010

Anotações sobre educação no Brasil...

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A década de 1980 foi marcada por várias transformações não só no Brasil, como a redemocratização, mas também no mundo com o colapso da União Soviética, tendo como maior símbolo a queda do muro de Berlim, isso mostrou que o mundo conhecido tomaria novas características. Essas mudanças também foram acompanhadas por mudanças conceituais do exercício da docência.
A educação a partir desse período foi vista como mola mestra para resolver os problemas do chamado mundo subdesenvolvido e no Brasil isso representou mudanças estruturais na educação. Foi dado inicio para além da democratização política, a democratização escolar, tornando a escola acessível a todos em idade escolar. A universalização do ensino também foi uma das maneiras para que resolver os males do país e todas essas mudanças no sistema educacional brasileiro repercutiu no exercício da docência.







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Com a Lei de Diretrizes Básicas da Educação (LDB) de 1996, foram regulamentados direitos e deveres do professor, propondo mudanças nas práticas de ensino, vislumbrando melhorar o desempenho dos alunos. Essas novas práticas de ensino devem valorizar o meio em que os alunos vivem seus saberes trazidos do cotidiano, propões ainda uma reflexão sobre o saber do saber ensinar do professor. Todos esses desafios e perspectivas na educação brasileira a partir de 1980 e, sobretudo na década posterior são oriundos de pesquisas na área da ciência da Educação, que tem tido refletido nas políticas públicas de Estado e de uma maneira ou de outra tem beneficiado a Educação no Brasil.
O professor que por muito tempo foi visto como detentor de todo o conhecimento passou a ser visto nas últimas décadas do século XX como aquele que tem a capacidade de orientar seus alunos a conhecerem. Outro desafio é exercer a prática docente em escolas completamente sucateadas, atender a alunos que são excluídos socialmente, assim, o exercício da docência deve ser cada vez mais reflexivo e “antenado” com os problemas sociais em esfera não só local, porém também global. Essas mudanças que se iniciaram desde 1980 ainda não estão totalmente definidas, ou seja, permanecem em muitos aspectos ainda no processo de mudança, quer seja na forma de ser professor quer seja na forma de lecionar.


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