Comentários sobre a Revolução Industrial... [2]

terça-feira, 17 de janeiro de 2012 0 comentários
A Revolução Industrial foi um dos fenômenos que mais tiveram importância no que concerne à configuração de como as sociedades em geral travavam suas relações econômicas, sociais e políticas. Porém, um processo transformador como este não surgiu de uma só vez em todo o globo, a Revolução Industrial teve suas origens em meados do século XVIII na Inglaterra, sobretudo através da maquinofatura têxtil. Eric Hobsbawm em sua obra A Era das Revoluções ressalta dentre outras características, a defesa de que as transformações ocorridas na Inglaterra de fato foram uma revolução, para isto ele recorre a aspectos quantitativos na produção inglesa a partir da introdução da máquina de tear a vapor e também aspectos qualitativos como a alteração nas sensibilidades e sociabilidades da sociedade inglesa a partir do surgimento da grande indústria.




É importante, ao analisar qualquer fato no passado discutir seu contexto, pois o historiador é por natureza um criador de contextos, na medida em que verticaliza sua análise, coloca em contextualização com o que a cerca e assim sendo, Hobsbawm dispões elementos ao leitor para que perceba em que conformidade das coisas ocorreu a Revolução Industrial na Inglaterra. No contexto externo, o autor afirma ser a França muito mais bem dotada no nível educacional e por sua vez, Alemanha e Bélgica possuidoras de mais tecnologias industriais que a Inglaterra, ainda poderia ser acrescentada nesse rol a Holanda, expoente comercial nesse período. Isso mostra como a Inglaterra tinha menos desenvolvimento em alguns aspectos comparados a outras nações da Europa, contudo havia ocorrido grande acumulação de capitais, principalmente após o período da Revolução política Inglesa, em que a burguesia constitucionalizou a monarquia gerando assim uma monarquia parlamentarista na Inglaterra ainda no século XVII, deste modo foi possível que a burguesia aparelhasse o Estado inglês em seu favor, favorecendo a propriedade privada, a exemplo dos cercamentos. Além disso, o Estado inglês também acumulou muito capital através dos corsários no Atlântico e também, por meio de empréstimos e tratados comerciais com outras nações, por exemplo, o Tratado de Methuen com Portugal.

Com o aumento das reservas de capital tanto individual quanto estatal; a prática de cercamentos em que alterou marcadamente a forma de produzir e consequentemente beneficiou grandes produtores, ocasionando a saída dos pequenos camponeses para as cidades pela falta de trabalho no campo e o desenvolvimento das novas técnicas de fiar o algodão (principal produto de exportação inglês, ou seja, suas manufaturas) impulsionou um movimento de investimentos cada vez maior na indústria, que tinha bastante mão-de-obra vinda do campo e capital suficiente a utilizar.
Portanto, é nesse entrelaçamento de fatores que ocorre a Revolução Industrial para Hobsbawm, e para ilustrar as alterações sociais neste período é possível utilizar o capítulo XIII de O Capital intitulado “Maquinaria e Grande Indústria”. O autor desta, Karl Marx, é contemporâneo desta avalanche transformadora das relações de produção que é a grande indústria. Marx neste capítulo se detém em discutir como o modo de produção capitalista alterou não só as relações de trabalho, mas as relações com o tempo, as relações familiares, as relações com a natureza, etc., enfim o homem e o mundo já se conheciam e reconheciam de maneiras totalmente diferentes. Bem como Hobsbawm, Marx elenca aspectos quantitativos a respeito da produção, como a cada nova máquina mais moderna se passa a produzir mais e ao mesmo tempo ele vai mostrando a perda dos trabalhadores em salários e o aumento de desemprego, aumento da jornada de trabalho de sua intensidade. Também põe em destaque a condição de trabalho do proletariado: lugares insalubres, falta de segurança, etc.

                      

Marx discute o conceito de mais-valia, que é a exploração do homem pelo homem como fonte de riqueza e base de sustentação da economia capitalista, e segundo ele a indústria é o lugar por excelência que ocorre esta expropriação do homem, a grande indústria significa a consolidação do capital como estrutura econômica. Enfim, a Revolução Industrial além de consolidar o capitalismo, é um processo que desde quando se iniciou não mais parou, significando a apropriação da burguesia das relações de produção.

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