Divagações sobre História, tempo, conhecimento histórico e oralidade...

domingo, 9 de maio de 2010 1 comentários

A História é essencialmente a disciplina que estuda o tempo, mas não qualquer tempo, o tempo na História é analisado na perspectiva da duração, mais especificamente a História é a ciência que estuda a ação humana sobre algum aspecto em uma determinada faixa de tempo. O tempo da História é diferente do tempo na História, haja vista que o historiador é livre para escolher o que será o seu tempo de estudo, isto é, o pesquisador histórico orienta sua pesquisa de acordo o tempo civil e cronológico se assim desejar, contudo ele poderá realizar outros recortes temporais como: o tempo a partir da observação natural, o tempo pelas transformações biológicas do individuo, etc.


O tempo da História, portanto, é o tempo definido pelo historiador, como alguém que pode definir o tempo. Já o tempo na História é indiferente a ação humana, ele transcorre o elo vital da humanidade, mesmo que seres humanos não queiram, porém vale salientar que tempo é criação humana e ao mesmo tempo criador dos homens.






História é essencialmente escrita, mesmo que recorramos à oralidade; esta nos leva a transcrever o que foi apreendido e apropriado, podemos decodificar ainda a oralidade através do vídeo e áudio, mas certamente a escrita fará parte desta leitura oral. Cabe aqui uma interpretação do que seja escrita humana no mundo, tudo o que o homem interfere no ambiente em vive, por exemplo, construção de edifícios, a derrubada de florestas, a criação de diques podem revelar como os homens viveram em determinado tempo, no entanto a fonte mais comum aos historiadores atualmente e desde muito tempo são inventários, testamentos, constituições, revistas, jornais, etc., de onde pode depreender o apego dos historiadores pelo papel e pelas letras.




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A oralidade nas sociedades escritas enquanto não são transformados em estudos históricos datados e grafados são considerados memória, memória que ainda hoje muitas vezes é ignorada, visto que em uma sociedade dominada pela escrita, o que está a margem se torna de segundo escalão, não científico, e até não verdadeiro, ou seja, para ter validade precisa ser cientifico e para ser cientifico é necessário estar escrito, “preto no branco” como diz minha avó.


Nas sociedades que não desenvolveram a escrita, a História se faz presente, pois o tempo transcorre entre estas sociedades, existe também um conhecimento do passado transmitido pela oralidade, contudo não só pela oralidade, mas também pelos gestos pelas vestes, pelas habitações, pelos hábitos alimentares, todavia não podemos afirmar que exista um conhecimento histórico nestas sociedades, justamente por elas não possuírem o suporte que caracteriza a ciência histórica: escrita, além de não terem por sua vez, o conhecimento do passado de forma sistematizada.

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